Venny Soldan-Brofeldt

Artist, sculptor, and jewelry designer.

30 dias de Faith No More, dia 24

SWU 2011__Marcos Hermes

Ainda correndo atrás do tempo perdido, vou recorrer mais uma vez ao depoimento de amigos.

Agora quem conta sua experiência e expectativa pro show do Faith No More é a idealizadora desta série de relatos de amigos, Laíssa Barros:

Até meus dezenove anos o que eu conhecia de FNM era apenas a música da novela. Sabia pouco ou quase nada da maioria das coisas que eu gosto hoje. Morava no interior e não tinha tanto acesso a shows, internet banda larga, fóruns/grupos e outros tipos de influências musicais, principalmente internacional.

Hoje esse universo me parece bem distante, mas por todo esse tempo grande da vida meu contato com a música era totalmente diferente de como é hoje. Enfim, o mundo girou e conspirou ao meu favor e finalmente eu tive a oportunidade de pertinho de casa participar de um festival, o SWU. Sabia o básico de cada banda que iria tocar e fui sem nenhuma grande expectativa, o que eu queria realmente era fazer parte de um show, de um festival, de um momento de interação com a música nunca antes visto ao vivo pela minha pessoa.

Mas não foi muito bem isso que eu recebi, foi muito mais. Sempre digo que esse dia vai ser sempre lembrado por mim como um dos que fizeram ser quem eu sou atualmente, afinal, depois de ter ouvido aquelas bandas todas, saí correndo que nem uma louca em busca de referências e pessoas que gostassem dessas mesmas coisas que eu tinha acabado de me encantar e tudo isso foi gerando mil playlists, arquivos baixados, amizades, horas ouvindo e pesquisando músicas e bandas, shows, festivais, a formação da minha identidade/personalidade/relação com tudo e enfim meu pertencimento a algo maior. Percebi que poderia compartilhar com outras pessoas tudo aquilo, que elas não me achariam um ET e sim mais um louca legal que também queria se divertir.

Lembro que um dia antes eu estava trancafiada no hospital com suspeita de pedra no rim e no outro dia fiz questão de chegar super cedo no local do festival. Passei o dia todo tomando chuva. Lembro de não ter a dimensão do que estava participando, de como seria importante esse marco musical em minha vida. Praticamente vi todos os shows, vi Raimundos, Duff, BRMC, Down, Sonic Youth, Primus, Megadeth, Stone Temple Pilots, Alice in Chains e por fim Faith No More.

Foi lindo e inesquecível vários momentos do festival: o último show do Sonic Youth, os grunges emocionados com Alice in Chains, os amantes de Pantera pirando com o Down, a chavinha que mudou minha cabeça ao assistir meu primeiro show de metal ao lado das caixas de som e dos fãs do Megadeth enlouquecidos e curtindo muito, a cerveja barata e o final apoteótico; eu ensopada, esgotada, enlameada, lá de longe do palco, ouvindo Mike Patton e me perguntando: que loucura é essa que eu quero fazer parte também?

Desde então agradeço as minhas mil pesquisas, a internet banda larga, aos amigos que fui fazendo e agora a mais esse show por despertar em mim sentimentos do bem e para o bem. Mal posso esperar para ver agora FNM não como a banda da música da novela, mas como a banda com álbuns e músicas que eu já conheço e tenho apego. Poder cantar junto com um monte de gente e com a banda que vai explodir o palco com uma apresentação foda. Vai ser sensacional. Além de ouvir ao vivo o cd novo. Segura ansiedade e expectativa. Vai ser lindo e vai ser emocionante. Mais um, mais um de muitos!

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