O show tá chegando (2 dias), mas ainda vai ter post pra caramba.
Hoje a Talita Castro fala pra vocês sobre a banda. 😀
Sobre Faith No More e uma cabeçada
Tenho um irmão quase dez anos mais velho que eu e Faith No More era uma das bandas favoritas da adolescência dele. Era criança quando ouvi as primeiras músicas e ia gostando dos hits que saiam do quarto dele quando a porta se abria. Até hoje me lembro de um dia em que ele estava zapeando pela TV e, ao parar na MTV, disse que aquilo que estávamos vendo, o vídeo de Another Body Murdered era a melhor coisa que ele já tinha ouvido na vida porque “mistura rock com rap”.
Meu irmão cresceu e foi mudando o gosto musical. Eu cresci e fui gostando de boy bands, rock, metal e também de rap. Comecei a assistir MTV com afinco por volta de 1996 e achava linda a versão de A Started a Joke, cujo vídeo chegou a emplacar no Disk e no Top 20 em 1997.
Ouvia muita rádio rock na adolescência, num tempo longínquo em que as pessoas ainda ouviam rádio. A Kiss FM, com sua tradicional playlist diária, tocava muito uma música que eu adorava e, assim que tive acesso à Internet e às maravilhas do download ilegal, baixei: A Small Victory. “Então isso é Faith No More também?” Virou minha música favorita na vida.
Fui baixando as músicas, uma por uma porque naquela época demorava quase uma noite inteira pra conseguir transferir 4 mega pro computador. Fui ouvindo e gostando cada vez mais. Daí em 2009 teve um show e uma cabeçada.
Sou de São Paulo mas naquela época não estava morando aqui, vinha sempre pra ver a família e também pra trabalhar. Estava aqui numa sexta-feira, por conta de um trampo, e andando pelo centro resolvi entrar na Galeria do Rock e comprar o ingresso pro Maquinaria, no dia seguinte, pra ver o Faith No More. Já tinha tempo que eu sabia do festival e estava com vontade de ir, tinha um “pessoal do twitter” falando disso, mas estava meio assim porque iria sozinha, não tinha conseguido convencer meu irmão a ir comigo. Ele, que gostava tanto, não estava afim e tinha achado o ingresso caro demais. Dormi na casa dele naquela noite e fui a pé pra Chácara do Jockey, que todo mundo acha longe pra caralho mas que pra mim era do ladinho. Cheguei bem cedo, meio empolgada e toda aventureira pra ver os shows sozinha, assisti praticamente todas as bandas. Quase dormi no Deftones, aliás, ainda bem que tinha show do Brothers na mesma hora pra me manter acordada. Sabia que tinha “gente do Twitter” lá mas naquela época não tinha smartphone, ou melhor, EU não tinha smartphone, e fiquei de boinha, na minha. Daí chegou o Faith No More, debaixo de uma puta chuva, aquela cover linda de Reunited. Eu tava bem na frente e na hora em que o pau comeu logo na segunda música, From Out Of Nowhere, eu tomei uma cabeçada tão forte, mas tão forte, de um cidadão pogando na minha frente, que de verdade achei que fosse desmaiar. Minha vista escureceu, fiquei tontinha e demorei um pouco pra voltar. Talvez, é claro, o tanto de cerveja que eu tinha tomado o dia todo estivesse contribuindo para tais efeitos.Aos 6 segundos, mais ou menos, eu tomei a cabeçada:
Na hora eu só conseguia pensar “vai trouxa, acha que é malandra pra vir no show sozinha, TOMA!” Mas eu me segurei, queria muito ver o show, e aí foi só alegria. Pensei assim: “se eu não desmaiei agora, é nóis!” Daí dancei, poguei, entrei em rodinha e tudo, curti muito o show inteiro, zoei bastante no lamaçal que virou aquele lugar.
Foi o melhor show da minha vida.
Por razões que eu ainda não consigo compreender, já que internet já era um bem acessível na época, eu não pesquisei nada sobre a turnê que a banda já tava fazendo há quase um ano, não sabia nada do setlist. O show de uma banda que tava voltando depois de 20 anos, veja bem, pra mim, teve completo gosto de novidade. Nem um esquentinha de oito meses, ouvindo todos os discos, como tô fazendo agora, eu fiz. Ia reconhecendo as músicas ali na hora, várias eu com certeza nem conhecia. Acho que a banda ficou tão especial pra mim por ter me ganhado no palco, ao vivo, tocando, como sempre, tão bem.
Depois disso eu virei a loka da discografia, dos shows ao vivo, de acompanhar os setlist, e às vezes chego a pensar que eu teria curtido mais se tivesse “me preparado mais” pr’aquele show de 2009, mas eu tenho certeza de que não.
Depois disso teve o show do SWU, em 2012, um dia dias mais legais e cansativos da minha vida. O show deles foi o último, eu lembro de comentar com os amigos que estavam comigo logo antes de começar: “GENTE VAI COMEÇAR!” e todo mundo me olhando com cara de “AFF CÊ JURA?” depois de um dia inteiro de muito show e MUITA chuva na cabeça. A gente tava longe do palco, tinha muita gente em Paulinha e, apesar de eu ter curtido muito, ficou registrado na minha memória como uma coisa mais distante, assisti mais o show do que “participei” dele.
E semana que vem tem de novo, tô ansiosa demais desde que foi anunciado, tô fazendo a loka do setlist e nutrindo todas as esperanças do mundo de que agora eu vou ver A Small Victory ao vivo e morrer de emoção na Barra Funda.
(Até prometi pro Roddy Bottum e pro Billy Gould no twitter que vou fazer transmissão dessa música se eles a tocarem e eu espero que a Vivo coopere não cortando meu pacote de dados até lá).
Sei que não vai ser a mesma coisa de 2009 e tomara que não, tomara que seja melhor. E esse ano, se eu tomar uma cabeçada logo no começo do show, tem o bonde inteiro dos amigos-fãs pra me segurar 🙂


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