Venny Soldan-Brofeldt

Artist, sculptor, and jewelry designer.

30 dias de Faith No More, dia 15

Chegou a hora de passar a palavra, pedi para alguns amigos que vão ao show do Faith No More para que contem um pouco sobre como conheceram a banda, qual a expectativa pro show, um momento marcante, etc.

Hoje é a primeira parte, começando pelo meu brother, parceiro de bandas e altas aventuras, Omar Marques:

O ano era 1990. Eu, um pré-adolescente que se aventurava em fuçar os ajustes da velha TV de seletor em busca do sinal da MTV, nova emissora voltada à música recém-inaugurada no Brasil. Opa, pegou o som, meio roncando, e entre os chuviscos da imagem do canal UHF, raios, um cabeludo tocando a guitarra com uma camiseta com o nome de Cliff Burton, cores psicodélicas e um outro cabeludo alucinado gritando “WHAT IS IT??? IT’S IT!!!”, em meio a um riff de guitarra alucinante, objetos que pareciam peixes sendo vorazmente destroçados em cena, banhos de tinta, finalizando com um belíssimo solo de piano (que seria explodido no final) e um peixe se debatendo fora d’água. Ainda não sabia o que era aquele turbilhão de informação musical até dar um tapa na antena e uma melhoradinha na imagem, e a clássica legenda da MTV me informar um nome composto por três palavras: FAITH NO MORE. Foi o banho de ânimo musical que faltava para adotar esta banda como a banda da minha vida – e o fantástico, irônico, cínico e tresloucado performer Mike Patton como artista da minha vida (não se limitando apenas ao FNM, mas isso é papo para outra história). Não fui nos shows do Olympia e do Rock in Rio, em 1991 (era muito novo) e nem no Monsters of Rock, em 1995 (faltou plata), mas acompanhava cada passo da banda via MTV e revistas especializadas. Acompanhava em tempo real a transformação daquele vocalista multibandas em um dos maiores crooners da música internacional, brincando com a versatilidade e plasticidade de sua voz entre músicas autorais e belíssimas covers/releituras. Com o advento da internet, em 1997 acessei pela primeira vez informações sobre a banda na rede, e nunca mais parei. Golpe triste foi em abril de 1998, quando a banda anunciou sua separação, porém sempre houveram rumores de uma possível volta, que se concretizaram no ano de 2009, ano este de meu primeiro show do Faith no More, no Maquinária Festival (2009) na cidade de São Paulo – show este que economizei bravamente cada centavo para comprar o ingresso. Depois veio o SWU 2011, em Paulínia, com um maravilhoso descarrego debaixo de chuva e barro. Agora, ansioso como sempre, me preparo psicologicamente, decorando as faixas de Sol Invictus para pular e berrar nesta que será, sem dúvida, a mais divertida das quintas-feiras dos últimos tempos: 24 de setembro de 2015.

Omarzinho, no canto esquerdo da foto, quando fomos no Maquinaria, 2009.
Omarzinho, no canto esquerdo da foto, quando fomos no Maquinaria, 2009.

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